A primeira palestra realizada pelo grêmio estudantil de nossa escola aconteceu em 27/08/2014, na sala 6 (multimídia), nos horários: 10h30min (para alunos da manhã) e 17h (para alunos da tarde).
Os alunos Leonardo Borota (8ºB - período da manhã), Rafael Gustavo e Pedro Henrique (5ºB - período da tarde) presidiram a mesa, dando abertura, apresentando os palestrantes e fazendo o encerramento do evento.
O primeiro palestrante foi o professor César A. Nunes, professor de História, que trabalhou em nossa escola por quase 19 anos, aposentando-se em fevereiro de 2011. Tinha o costume carinhoso de chamar seus alunos de mandrião. Ele ressaltou que tem um carinho especial por nossa escola, onde, por opção, sempre gostou de ensinar, por constatar que a grande parte dos alunos pertence à classe desprivilegiada tanto social como economicamente.
Ele nos falou sobre a importância das organizações estudantis para a conquista da democracia e liberdade sempre vinculada ao viver bem, de uma forma decente e sem preconceito. Leu um texto histórico/político, que escreveu de um modo poético para os alunos, em que fala, por exemplo, da luta pela democracia e liberdade desde o período da ditadura militar (1964-1985).
Segue o texto:
Na ditadura, centros cívicos.
Democracia? Liberdade?
Nem pensar!
Trabalhadores, professores,
Estudantes,
Tinham que se calar.
Sem liberdade,
Só é sofrer.
Sem liberdade,
Não sei viver.
Cala a boca estudante vermelho,
Dizia o general.
Cala a boca estudante pentelho,
Dizia o policial.
O subversivo nós calaremos.
O subversivo nós prenderemos.
O subversivo nós torturaremos.
O subversivo nós mataremos!
Nos porões da ditadura,
Ódio, violência, sangue,
Mortes na tortura!
A tortura é medieval!
A tortura é sepulcral!
Não podemos vivenciá-la,
Não podemos aceitá-la
No nosso mundo atual!
Não se coaduna com a nossa liberdade.
Não se coaduna com a nossa humanidade.
Não se coaduna com a nossa existência.
Isso é a nossa barbárie!
Isso é a nossa falência!
O ser humano precisa de liberdade.
O ser humano precisa de democracia.
É claro que isso, por si só, não é suficiente.
Precisamos todos viver bem!
Precisamos todos viver de uma forma decente!
Sem racismo,
Sem pedofilia
E sem homofobia.
Precisamos viver com amor.
Precisamos viver com alegria.
Os alunos querem independência.
Os alunos querem decidir.
O grêmio eles vão organizar.
O grêmio eles vão construir!
Com uma escola melhor,
Onde todos estudam, aprendem,
E se respeitam,
Eles vão contribuir!
Os alunos ajudarão
O Brasil a ser campeão.
Não só no esporte, futebol,
Mas também na igualdade,
Na saúde e na educação!
Não mais crianças abandonadas, abusadas.
Não mais mulheres agredidas, violentadas.
Não mais famílias despejadas, desalojadas.
Não mais pessoas oprimidas, desorientadas.
Não mais gente desempregada, explorada.
Não mais corrupção.
Não mais político ladrão!
Há quase 50 anos eu sonho.
Há quase 50 anos eu luto.
Quem não é capaz de lutar pelo seu sonho,
Não é nada,
É luz apagada,
É página virada.
Não lutar pelo seu sonho,
É ganhar sem merecer,
É olhar sem perceber,
É ler sem entender,
É viver por viver!
O professor César lembrou da resposta que deu a uma das perguntas que o grêmio "Força e Ação" lhe fez em uma entrevista da 1ª edição do jornal VRL NEW, em novembro de 2004. Pergunta: o que o senhor acha do grêmio na escola?
A segunda palestrante foi a professora Marly de Freitas, professora de geografia que trabalhou em nossa escola por aproximadamente 10 anos. Também saiu em 2011. É uma pessoa generosa que está sempre disposta a ajudar as pessoas. Ela nos falou sobre o amor, ressaltando que para a prática da generosidade, benevolência e solidariedade na escola é preciso, em primeiro lugar, que o aluno goste da escola.
Ao final, leu o texto História de Amor que podemos encontrar no seguinte endereço eletrônico: www.comamor.com.br/hist_amor.asp
Em seguida, falou o professor Thiago A. de Oliveira, professor de História de nossa escola que brinca e ensina ao mesmo tempo, fazendo, desse modo, com que “a gente aprenda mais”. Ele enfatizou que a participação do jovem tanto na escola como na sociedade deve ir além dos interesses pessoais e que, no protagonismo juvenil, o adolescente é a personagem principal, ou seja, é quem faz as coisas acontecerem, visando sobretudo a um desenvolvimento social.
Por último falou o aluno da 3ª etapa da EJA, Sr. Eurico Morais, que nos contou um pouco de sua experiência de vida e destacou os deveres de responsabilidade e compromisso que qualquer aluno deve ter.
Disse que sempre teve um sonho. O de tirar o diploma do grupo escolar (atualmente, Ensino Fundamental I). Disse também que desde muito pequeno precisou trabalhar duro na roça para ajudar no sustento da família e, por isso, não pôde estudar na ocasião. Enfatizou que hoje os alunos estão na escola, têm, na maioria das vezes, a família para sustentá-los e, portanto, não podem deixar passar essa oportunidade de estarem aqui para aprenderem. “A pessoa que não sabe ler e escrever é comparada a um cego”, disse o Sr. Eurico.
Os alunos Pedro Henrique e Rafael Gustavo, ambos do 5º ano B, presidiram a mesa da Palestra realizada à tarde.
Após terminarem as apresentações, os alunos Igor, Débora, Evellyn, Leonardo, Sara, Pedro Henrique, Jefferson, etc fizeram perguntas aos palestrantes . O aluno Pedro Henrique, por exemplo, perguntou à professora Marly se é importante a ajuda dos professores na organização do grêmio estudantil e o aluno Leonardo perguntou ao Sr. Eurico o que ele poderia dizer sobre o desrespeito de alguns alunos no cotidiano escolar.
Ao final, os palestrantes receberam uma Declaração de participação como esta do Sr. Eurico Morais.
Gostaríamos de agradecer a vocês, palestrantes, por terem aceitado gentilmente nosso convite, deixando até, quem sabe, algum compromisso importante para estarem aqui conosco. Estamos agradecidos pela disponibilidade, atenção e boa vontade em nos trazerem um pouco de suas experiências.
Gostaríamos ainda de parabenizar aqueles(as) alunos(as) que souberam ouvir, respeitar e agradecer aos palestrantes.
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